"CONTRAMINA"

traduzido para espanhol

e editado na Amargord, editora de Madrid


Palavras de Julia Alonso Diéguez, directora da colecção:

"Hemos puesto también una especial atención en un original diálogo metafísico titulado Contramina, es una obra sorprendente por su formato y estilo, escrito por Ruy Ventura, un joven valor por el que vamos apostar en esta colección. También tendremos el honor de trabajar con Antonio Cándido Franco, cuya obra publicada es numerosa tanto en Portugal como en otros países. Su ensayo Notas sobre el surrealismo en Portugal, resulta sumamente interesante para conocer la impronta de este movimiento en tierras lusitanas."

Vale a pena ler toda a entrevista em:
http://revistadeletras.net/la-proximidad-es-tambien-una-ilusion/


EDMAR GUIMARÃES 
(poeta brasileiro)

sobre CONTRAMINA

(opinião enviada ao autor, em Março de 2014)



[...] Gostei imensamente do Contramina. Há em todas as falas desta obra um instigante diálogo de  pensamentos, adensamentos filosóficos, entrevistos na reapresentação de imagens, de modo sutil ou direto, de um texto para outro. Chamou-me também atenção o jogo entre o real (imagens concretas) e o "irreal" (imagens oníricas), para isso, corroboram personagens tanto do universo da ficção, como personalidades do mundo real. Contramina é um livro forte, belo, faz-nos sentir o espírito dissecado.

Lendas da serra de São Mamede
(Castelo de Vide, Marvão e Portalegre)
 
colecção redes & enredos
 
 
Organizador: Ruy Ventura
 
ISBN: 978-989-618-441-4
Edição: 60 páginas
 
 
Preço: 4,50 € (6% de IVA incluído)
 
Recolha de lendas dos concelhos de Castelo de Vide, Marvão e Portalegre.

Mais informações em:
http://apenas-livros.com/pagina/apenas_de_cordel/indice?id=537

ENTREVISTA DADA
AO "DIÁRIO DO ALENTEJO"

(25/10/2013)



Como surgem os dois volumes de Literatura Tradicional da Serra de São Mamede (castelo de Vide, Marvão e Portalegre)?

Os dois primeiros cadernos são a concretização de um projeto que acalento há quase duas décadas, desde que comecei a recolher em várias localidades desses municípios muitos textos quase em vias de desaparecimento. É um tesouro que não poderia esfumar-se... Sendo uma região riquíssima em património imaterial, muito felizmente já publicado, precisava de ver reunidos contributos dispersos, não só para devolver às populações a sua tradição, como também para pôr à disposição dos investigadores esse material devidamente organizado. Além disso, tenho em mão uma quantidade impressionante de recolhas inéditas, efetuadas durante os três anos em que lecionei a cadeira de Literatura Oral no Instituto Politécnico de Portalegre. O trabalho foi interrompido com a minha saída da instituição, mas era preciso organizar e divulgar todo esse arquivo, que conta talvez com milhares de textos. Tendo surgido o convite da parte da presidente do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional, professora Ana Paula Guimarães, e da responsável pela Apenas Livros, dra. Fernanda Frazão, aceitei deitar mãos à tarefa com muito gosto.


O primeiro edita romances religiosos. O segundo edita orações, benzeduras, ensalmos, esconjuros e orações parodiadas. Seguir-se-á um terceiro?

Os dois primeiros cadernos já estão à venda em várias livrarias e no sítio da Apenas Livros, na Internet. As provas do terceiro, que publicará boa parte das lendas de castelo de Vide, Marvão e Portalegre, foram entregues esta semana e já estão no prelo. Para já sairão estes três, que receberam financiamento do IELT/Universidade Nova de Lisboa e de fundos da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Se tudo correr bem, em 2014 serão organizados outros, que publicarão nomeadamente romances tradicionais, romances vulgares, cancioneiro e contos.

O que exigiu este projeto de recolha?

Como disse, foi um projeto construído ao longo de cerca de 20 anos. Exigiu a recolha junto de vários informantes em muitas localidades da região e a transcrição de textos a partir de bibliografia (alguma muito difícil de encontrar). O trabalho não teria sido no entanto tão completo se eu não tivesse contado com a colaboração de vários colectores que tinham os seus textos na gaveta, como por exemplo Maria do Carmo Alexandre, Maria Tavares Transmontano, Maria Guadalupe Alexandre, Maria da Liberdade Alegria e vários alunos meus da Escola Superior de Educação de Portalegre, cujos trabalhos guardei. Recentemente, tive de proceder a novas transcrições de parte do espólio e à classificação dos textos. Resta-me dizer que esta iniciativa é um caminho, não uma meta.

Bruna Soares


LITERATURA TRADICIONAL 
DA SERRA DE SÃO MAMEDE

organização de Ruy Ventura
editado pela Apenas Livros, em Lisboa
na colecção “À mão de respigar”
com apoio do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional e da Fundação para a Ciência e Tecnologia



(introdução geral, no primeiro caderno)

         Com este opúsculo se inicia a edição de uma parte da literatura tradicional da serra de São Mamede, espaço do Nordeste Alentejano encostado à fronteira da Extremadura espanhola que compreende os concelhos de Castelo de Vide, Marvão e Portalegre. Constituindo uma tentativa de sistematização e classificação do vastíssimo património literário oral que se foi produtransmitindo ao longo de séculos nessa região, não tem contudo esta publicação e outras que se sigam propósitos de exaustividade. Se se procura dar divulgação impressa ao maior número possível de textos e variantes, o organizador desta iniciativa tem consciência de que muito ficará por apresentar nestas páginas sem pretensão.
         Este caderno pediria um estudo introdutório que enquadrasse os textos e a região onde foram produzidos e/ou difundidos. Não é este contudo o tempo nem o espaço para tal empreendimento. Com um mínimo de aparato fica assim disponível uma parte da memória colectiva desses três municípios em que a desertificação demográfica, social e cultural vai acentuando uma inquietante erosão cuja velocidade vertiginosa levará decerto à perda da maior parte destes textos, quebrada que está quase por completo a sua cadeia de transmissão.
         Publicar este conjunto de artefactos literários é, também, conservá-los e dar-lhes um pouco de sopro vivificador, embora permaneça a angústia de ver obras vivas e abertas transformadas em múmias ou relíquias, pertencentes a um tempo rural e cíclico que nunca mais voltará tal como muitos de nós ainda o conhecemos. Talvez assim, contudo, tenham nova existência – e uma garantia de futuro.

         A transmissão de uma boa parte dos textos de literatura oral deveu-se às mulheres que, anonimamente, quase em segredo, foram mestras na sua memorização e na sua reprodução criativa. É por isso inteiramente justo que dedique este primeiro caderno a quem continua a ensinar-me e a incentivar-me (Felicidade Ventura, minha mãe; Maria Tavares Transmontano e Maria Guadalupe Alexandre, amigas e investigadoras, tão atentas quanto discretas) e a quem já faz parte do meu panteão pessoal, por dívidas imateriais que nunca pagarei (Rosária da Conceição Pedro, minha avó materna; Maria Josefa Baptista, minha avó paterna; e Maria da Liberdade Fernandes Alegria, minha amiga de quase quarenta anos; que a terra lhes seja leve).





I – Romances religiosos (primeiro caderno)

Anúncio do nascimento de Cristo aos pastores
Pobreza da Virgem em Belém
O castelo da Virgem
Nossa Senhora lavadeira
Reis
Sonho de Nossa Senhora
Do Horto ao Calvário
Testamento de Cristo
Retrato de Cristo
O monumento de Cristo
Vida de Cristo
Jesus Menino quer dizer missa
Jesus Cristo diz missa
A vida de Jesus Cristo
 [Senhora da Piedade]
O lavrador da Arada
A fé do cego
O cordão de Nossa Senhora
Devota da ermida
Separação do corpo da alma
Julgamento de uma alma
Santa Helena
Angelina gloriosa

Versões recolhidas em: Carreiras, Carvalhal, Castelo de Vide, Escusa, Fortios, Portagem, Portalegre, Porto da Espada, Rasa, Reguengo, Ribeira de Nisa, São Julião e São Salvador da Aramenha.


II – Orações, encomendações, ensalmos e esconjuros (segundo caderno)

Orações quotidianas
Orações próprias da missa
Orações relacionadas com outras práticas religiosas
Orações relacionadas com edifícios religiosos ou para-religiosos
Orações relacionadas com tarefas diárias
Orações relacionadas com a natureza
Orações diversas
Encomendações
Ensalmos / benzeduras
Esconjuros
Orações parodiadas

Versões recolhidas em: Alegrete, Carreiras, Carvalhal, Castelo de Vide, Escusa, Fortios, Portagem, Portalegre, Porto da Espada, Póvoa e Meadas, Rasa, Reguengo, Ribeira de Nisa, São Julião, São Salvador da Aramenha e Urra.


III – Lendas (terceiro caderno, ainda no prelo)

Lendas de:
Alegrete
Alvarrões
Aramenha
Besteiros
Carreiras
Castelo de Vide
Escusa
Fortios
Marvão
Portagem
Portalegre
Porto da Espada
Reguengo
Ribeira de Nisa
Serra de São Mamede
Urra



Literatura Tradicional da Serra de São Mamede (Castelo de Vide, Marvão e Portalegre)
I. Romances religiosos
Autor:  Ruy Ventura
Edição:  47 páginas
Estado:  disponível
Preço:  4,15 € (6% de IVA incluído) 
Recolha in loco de romances religiosos orais na serra de São Mamede, Alentejo


Literatura tradicional da serra de São Mamede (Castelo de Vide, Marvão e Portalegre)
II. Orações, encomendações, ensalmos e esconjuros
Autor:  Ruy Ventura
Edição:  68 páginas
Estado:  disponível
Preço:  4,80 € (6% de IVA incluído) 
Recolha de património imaterial, ligado a oração e a cura, na região da serra de S. Mamede, Alentejo
http://apenas-livros.com/pagina/apenas_de_cordel/indice?id=528


O VERDADEIRO POETA
DA ARRÁBIDA É DEUS


Setúbal, 20 de ago 2013 (Ecclesia)

O verdadeiro poeta da Serra da Arrábida “é Deus” considera o professor e escritor Ruy Ventura referindo-se ao local em Setúbal, que inspirou obras portuguesas.

Para o docente “esta serra é por si só um poema” e “os autores que têm escrito sobre ela apenas a têm interpretado e colhido a sacralidade que envolve todo o espaço”, afirma em declarações à Ecclesia, notando que a Serra da Arrábida “não se oferece logo na primeira visita” mas necessita de “constante revisitação”.

Ruy Ventura recorda Frei Agostinho da Cruz e Sebastião da Gama como dois poetas que usaram como inspiração o misticismo da Arrábida: a poesia de Frei Agostinho da Cruz “artisticamente é muito mais construída”, enquanto que a de Sebastião da Gama “é como se fosse um diamante por lapidar.”

O poeta Ruy Ventura não deixa de notar que a poesia de Sebastião da Gama “precisa urgentemente de uma edição completa” revelando a existência de “dezenas de poemas inéditos”.

“A saudade é a síntese entre a esperança e a memória” é a frase declamada por Ruy Ventura para explicar a conotação de “altar dos poetas” que atribui à Serra da Arrábida, tendo em conta essa saudade que é “a memória do passado e a esperança num futuro sempre mais elevado”.

Setúbal, 21 de ago 2013 (Ecclesia)

O professor Ruy Ventura afirma que a obra do Frei Agostinho da Cruz sofreu uma “mudança”, originalmente de uma “produção profana” para se tornar num poeta “profundamente religioso”.
Frei Agostinho “nasceu no dia de Santa Cruz de 1540 e tomou hábito no mesmo dia em 1560, no convento de Santa Cruz de Sintra”, declara Ruy Ventura ao programa Ecclesia, dando conta de que este autor foi “sobretudo um professor da Cruz” professando uma “grande devoção à Cruz de Cristo”.
“É um poeta da meditação”, revela o professor, notando que Frei Agostinho da Cruz “viveu numa época muito conturbada” e muito “semelhante á nossa”.
Ruy Ventura não deixa de apontar que Frei Agostinho abandonou o “mundo material para se ligar ao mundo espiritual”, resultando o seu trabalho “numa poesia de opções”, onde o autor “vê o mundo vão e prefere o mundo espiritual”.
“Serra sagrada” é como Ruy Ventura define a serra da Arrábida, em Setúbal, que serviu de grande inspiração a Frei Agostinho.



http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=96672


COMENTÁRIO DE UM LEITOR:

 Vou pedir ao Ruy Ventura que me permita um comentário de simpatia à sua inspirada frase de que “O verdadeiro poeta da Arrábida é Deus”. Como acontece com Assis, Capri, Corcovado e outros raros espaços do orbe, a Arrábida é um topos especial. Um lugar que é muito mais que um espaço físico. É comum o visitante sentir ali uma coceirinha mística que teria vontade de exprimir da maneira mais própria. Vontade que na maior parte dos casos fica no balbucio ou no silêncio místico de contemplação, na admiração e no espanto. Vontade que termina por se reduzir a uma impressão indizível, ou a um estranhamento íntimo que não encontra na palavra uma sintaxe racional que exprima totalmente a impressão registrada na alma. Poetas de renome como Frei Agostinho da Cruz, António Manuel Couto Viana, Sebastião da Gama e outros cantaram a mística serra. Através da linguagem escrita deixaram impressões, canções, elegias, exclamações, saudades. Mas uma coisa é a retórica estilística com finitos giros oferecidos pela língua literária e comum e outra coisa é a realidade em si da Arrábida e a força íntima que dela se desprende. Neste caso, declarada a limitação da linguística verbal, resta pedir a intervenção da semiótica para que com base em sinais e indícios ela própria construa outro tipo de linguagem que melhor exprima a sensação ou a impressão mística com que a Arrábida nos enche o coração. Dentro desta perspectiva parece ser inteiramente pertinente lembrar e repetir a feliz frase de Ruy Ventura quando diz que “O verdadeiro poeta da Arrábida pe Deus”…Explicando melhor: o espectáculo da natureza e o encantamento da Arrábida é de tal ordem que não há poeta que tenha uma linguagem própria e capaz para exprimir as grandezas transcendentes da Arrábida. Esse espectáculo, convertido em linguagem, mostra que ali só há um poeta com dicção própria: seu Criador, Deus. Quando o franciscano S. Boaventura escreveu o ” Itinerarium mentis in Deum” (Itinerário da mente para Deus), em pleno século XIII, estava nos dizendo que o mundo é não apenas um espelho de Deus mas também um caminho cheio de sinais para o reconhecer como seu Autor. A mesma tese que Ruy Ventura nos está lembrando em bom português, ao exaltar a Arrábida como uma das maiores belezas de Portugal, ao dizer que:”O verdadeiro poeta da Arrábida é Deus.”

João Ferreira

Brasília,10 de setembro de 2013
 http://circuloantoniotelmo.wordpress.com/2013/09/10/ruy-ventura-na-agencia-ecclesia/


António Carlos Cortez (2013)
"Ruy Ventura - Falas, figuras, cenas"
Jornal de Letras, de 26 de Junho: 13.

Leia a versão longa do texto aqui.